domingo, 16 de maio de 2010

CONFISSÕES DE UM PASTOR

Se déssemos uma boa olhada na história do povo evangélico no Brasil a uns cinqüenta, quarenta ou trinta anos atrás, ficaríamos surpreendidos com a visão que se tinha dos pastores:  homens de profunda respeitabilidade, confiança, uma referência para as famílias, seus conselhos eram acatados sem muita discussão. As pessoas olhavam para esses homens e diziam: “Eis aí um grande exemplo de honestidade e integridade”. O pastor era o exemplo de espiritualidade, um verdadeiro sacerdote no sentido vétero-testamentário, com muita autoridade, muito poder e muita aceitação.

Todavia os anos passaram e muita coisa mudou, a sociedade mudou, os padrões morais e valores éticos mudaram, pelo menos a forma de olhar para eles, as famílias mudaram, o jeito de educar filhos mudou, o conceito de autoridade já não é levado muito em conta, as escolas mudaram. Como diz o cantor popular: “o mundo está ao contrário e ninguém reparou”. Consequentemente, a igreja sofreu mudanças e o olhar sobre os pastores também. Mas não foi só o olhar sobre os pastores que mudou, eles também mudaram. Muitos, inclusive, tornaram-se padrão de não-exemplo, não-referência, não-espiritualidade. Hoje os pastores honestos, íntegros, de boa fé são a exceção e não a regra. Que triste! Eu fico pensando: “Meu Deus, como ser pastor, num tempo assim, num mundo onde tudo é olhado com desconfiança? Onde os valores absolutos da ética foram lançados por terra, e o conceito de autoridade está em crise, seja numa empresa, casa ou igreja? Como ser pastor aqui e agora?”. Não culpo a ninguém, afinal, eu não sou o juiz da história. Apenas, lamento.

Diante desse quadro apresentado, muitos medos surgem diante de mim e em mim. Mesmo porque, apesar dos maus exemplos, ser pastor é algo muito sério e de profunda responsabilidade. Pastorado não é profissão, é vocação, chama-mento. Uma pessoa decide ouvir a voz divina para ser pastor não por causa do poder, visto que Jesus ensinou: “Quem quiser ser o maior, que seja, então, o menor, o servo”. Veja bem: servo e poder não são coisas que combinam. Muito menos por causa da autoridade, pois os referenciais de autoridade praticamente não existem nas sociedades pós-modernas. Alguém decide ser pastor devido a uma chama, “chama-mento”, que arde em seu coração, uma chama que queima tudo, e até incomoda, uma vez que, de certa forma, tira até a paz. Tira o sossego, o sono. Não que isso seja ruim, afinal, vem do céu, vem do alto. Fato é que Deus em sua graça, convoca algumas pessoas para servirem as outras, para serem mentores espirituais, encorajadores, companheiros de jornada, profetas da modernidade, proclamadores do evangelho puro e simples do Senhor Jesus Cristo.

Como já disse: é muita responsabilidade e demasiado peso sobre os ombros. Por isso os medos surgem. Medo de se calar não hora que a verdade precisa ser dita, medo de falar na hora em que silêncio deveria imperar, medo de falar demais, medo de falar de menos, medo de cair no ativismo, medo de ser passivo demais, medo de agradar, medo de desagradar, medo de não ser forte o suficiente, medo de não ser perseverante o suficiente, medo de não ter coragem suficiente. Medo de  ser um excelente pastor e cair no orgulho, medo de ser um mau pastor e cair no esquecimento. Simplesmente, medo de fracassar. Medo de andar nos caminhos da arrogância e auto-suficiência. Medo de valorizar demais o que não é pra ser valorizado demais, medo de cair numa rotina de religiosidade e não-espiritualidade, medo de pensar que o evangelho é algum tipo de lei, medo de dar espaço para o moralismo, medo de não agir de acordo com os princípios da graça. Medo, medo e medo...

Talvez você esteja dizendo a si mesmo: “que pastor medroso, como posso confiar nele?”. Na verdade, não sou medroso, sou humano, demasiadamente humano. Cheio de angustias existenciais como qualquer um. Quem não tem medos que atire a primeira pedra. Sabe, agora, neste exato momento que estou escrevendo essa pastoral, olhei para minha estante de livros e vi um intitulado: “O despertar da graça” de Charles R. Swindoll. Decidi pegá-lo e abrir no capítulo chamado: “Você é um ministro da graça?” As palavras de Swindoll me fizeram lembrar de outro texto: um texto paulino o qual diz: “Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus e não de nós [...] Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia”.

Essas palavras fizeram meus medos se calarem por alguns instantes. Provavelmente eles vão voltar mais tarde. Mas estou plenamente convicto que sou vaso de barro, pequeno, frágil, cheio de medos, dúvidas e Deus, apesar de tudo, continua sendo gracioso, benevolente, poderoso e escolhendo pequenos vasos para fazer a sua obra. Acho que vou deixar meus medos de lado e vou descansar no poder divino, vou me dispor a ser ministro da graça, e a ser forte em meio à fraqueza, em Deus. Convido-o a fazer o mesmo, pois você é tão vaso de barro quanto eu sou. Nunca se esqueça disso: Deus só trabalha com vasos de barro para que a glória seja toda Dele. E que assim seja!                                                                 Pastor Laurencie

quarta-feira, 28 de abril de 2010

FÉ, TRABALHO E COLHEITA

“Aquele que sai chorando enquanto lança a semente, voltará com cantos de alegria, trazendo os seus feixes”. Pra quem não se recorda, faço questão de lembrar: a referência deste versículo é Salmo 126.6, texto, por sinal, belíssimo e que será o versículo tema para nossa reflexão de hoje. Atentemos para suas lições.

O texto escrito pelo salmista o qual, provavelmente, viveu nos tempos do cativeiro babilônico apresenta uma promessa. Mas aperceba-se que não é uma promessa para todo tipo de gente, é uma promessa para um tipo de gente, e somente este tipo. O texto diz: “aquele que sai chorando enquanto lança a semente”. Viu? Entendeu? Compreendeu? A promessa é para aquele que sai, e sai fazendo duas coisas: chorando e lançando a semente.

O choro, com certeza, refere-se às dificuldades, às duras penas, às complicadas exigências, às barreiras enfrentadas, às decepções, aos gritos por socorro, e pedidos de ajuda, e ainda, ao cansaço da labuta por parte daquele que deixou um estado de conforto, de berço esplêndido, de pleno sossego para ousar lançar a semente. Resumindo: o choro é fruto do suor do trabalho daquele que saiu do conforto, levantou-se, preparou-se e foi lançar a semente.  É como alguém já disse: “enquanto Deus trabalha, nós suamos”. E eu acrescento: e choramos também. O choro é resultado do demasiado esforço, o choro é resultado da não desistência diante dos problemas e dificuldades, o choro é fruto da perseverança, o choro é fruto da luta, labuta, garra, disponibilidade, disposição de trabalhar para Deus, para o Reino.

A promessa, portanto, é para quem trabalha, seja debaixo de sol ou de chuva, seja no verão ou no inverno, com dor ou sem dor, na alegria ou na tristeza. Talvez esteja surgindo na sua mente algumas dúvidas: que tipo de trabalho? E que promessa é esta? Para respondermos essas perguntas precisaremos recorrer ao contexto do texto. Pois texto sem contexto, vira pretexto.

O salmo 126 mostra o sentimento daqueles que estão voltando do cativeiro para sua terra depois de 70 anos fora de casa, longe do lar. Por isso o salmista diz: “quando o Senhor trouxe os cativos de volta a Sião, ficamos como aqueles que sonham”. E diz mais ainda: “nossa boca se encheu de riso e cânticos de alegria”. A alegria da volta do cativeiro é tão grande que contagiou os outros povos e eles diziam: “Grandiosíssimas, belíssimas, fantásticas coisas fez o Senhor por estes”. Note: o contexto do texto se refere a restauração de uma nação, a reconstrução da vida depois de tempos (muito tempo, por sinal) de dor e decepção. O texto trata da reinvenção de um povo, mediante a ação de Deus na sua história, por isso diziam com toda a força no coração: “Grande coisas fez o Senhor por nós”.

Assim sendo, seguindo e segundo esta perspectiva entendemos que o trabalho aqui se expressa na luta pela restauração do povo, e para que isso aconteça é preciso enfrentar o sol causticante para lançar as sementes da restauração, da fé, da esperança. Mesmo que isso cause dor e provoque o choro. Note e anote que a restauração é fruto de uma parceria de Deus e daqueles que ousam e têm a coragem de lançar preciosas sementes. Paulo disse acertadamente que de Deus somos cooperadores. Que nós, eu e você, pela misericórdia de Deus, tenhamos plena convicção que somos cooperadores Dele. Que honra! Que privilégio! Que graça!

Por último, depois da fé exercida e do trabalho vem a época da colheita da restauração. Esta é uma trilogia que tem de ser abraçada com toda a força pela igreja, pelas pessoas – fé, trabalho, colheita. A promessa do verso 6 do Salmo 126 é justamente a colheita. Quem sai chorando e lançando preciosas sementes vai, com a certeza que flui do céu, colher, e colher mais e colher mais ainda frutos preciosos. Utilizando a linguagem do salmista, vai trazer os seus feixes, seus molhos, sua porção.

Este é o nosso desafio: com fé, trabalho duro, e com dedicação lançar preciosas sementes. Sementes de amor, paz, união, graça, misericórdia, justiça, ânimo, alegria, esforço, perseverança, perdão, humildade. Se assim o fizermos, com a ajuda de Deus, teremos uma excelente colheita. Afinal somos parceiros. Em nome de Cristo e para glória de Cristo inclua-se hoje mesmo na lista dos semeadores de Deus. Lembre-se: a promessa da colheita é para estes, e somente estes. Amém.
                                                                                                                        Pastor Laurencie 

sábado, 17 de abril de 2010

EM BUSCA DE RESPOSTAS

Você ao assistir um filme, um filme desses que passam nos canais abertos, já teve a sensação de que uma cena importante foi cortada? Confesso que assim que me sinto quando leio João 14.1 a 4: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver”. O evangelista João introduz esse texto sem falar do contexto que ele surge. Nós não sabemos sobre o que eles exatamente estavam conversando, não sabemos o que motivou Jesus a proferir essas palavras.

É claro que existe uma grande possibilidade de eu estar errado. Mas acredito que o tema da conversa de Jesus com seus discípulos era sobre o futuro. Não só o futuro referente à vida de Jesus, mas a vida dos discípulos também. Talvez eles tivessem feitos perguntas mais ou menos assim: “O que acontece depois que morremos? Como que é esse depois? O que faremos lá? Quanto tempo vai demorar para irmos para lá?” Estou imaginando obviamente, mas penso que os discípulos queriam que Jesus fizesse um manual de escatologia[1] para eles. Contudo, Jesus se recusa a responder as inquietações dos seus alunos, e diz, simplesmente: quanto às coisas do futuro, acalmem-se. Fiquem tranqüilos, não fiquem perturbados, fiquem em paz. Jesus não dá vazão a curiosidade, todavia se concentra no que é essencial.

Muitos acreditam que conhecem escatologia, narram os fatos futuros em ordem cronológica, mais um pouco e estarão prontos para datar o fim de todas as coisas. Como diz um pastor amigo meu: “Isso é uma grande bobagem”. A Bíblia é muito cuidadosa quando se trata do futuro, é claro que ela não nos deixa totalmente no escuro, mas ilumina somente as questões fundamentais.  As que de fato tem importância. Quando tratamos desses assuntos a curiosidade fica aguçada, e a mente fica acelerada em busca de respostas: “Senhor, como vai ser o céu? Como nós seremos? O que nós faremos lá? O que nós vamos comer lá? Eu vou reconhecer meus amigos? Meus familiares? Quando será o fim? Será que está próximo? O que acontece logo que morremos? Senhor, responda! Mate a nossa curiosidade”. Dos textos bíblicos que tratam sobre Jesus, não conheço nenhum em que ele se dispusesse a matar a simples curiosidade de alguém. Mas com toda sua sabedoria ele dá algumas lições que são importantes para se guardar no coração.

A primeira lição em relação ao futuro é: troque a ansiedade pela fé. É necessário crer em Deus e na pessoa de Cristo. É preciso confiar. É preciso acreditar que Deus é Deus de amor, e que Cristo é a prova mais clara desse amor, é preciso aceitar que de fato Deus se importa conosco, e que Cristo é verdadeiramente o Deus Emanuel, o Deus conosco. O Deus pertinho da gente. E, portanto, eu posso ficar em paz porque Deus nunca vai me abandonar. Mesmo na dor, mesmo na angustia, mesmo na morte, mesmo no futuro desconhecido.

A segunda lição é que Deus já preparou um lugar para os seus. Pois na sua casa há muitas moradas. E mesmo que não tivesse, Jesus disse que daria um jeito para arranjar um lugarzinho para aqueles que são seus discípulos. Não sabemos exatamente como vai ser lá, mas no coração brota a esperança que será muito bom, pois Deus é infinitamente bom, e foi Ele quem preparou as moradas celestiais. Álias, o máximo que podemos dizer sobre lá, é que será muito bom. O autor de Gênesis já dizia que tudo que Deus faz é muito bom. Então, tenho mais uma razão para descansar e ficar despreocupado.

A terceira lição é que Cristo vai voltar um dia para buscar aqueles que se entregaram verdadeiramente a Ele e à sua causa. Ele mesmo disse: “Eu voltarei e os levarei para mim”. Note bem, Ele disse isso para os seus discípulos, não disse para todo mundo, somente para os seus discípulos. Só os legítimos seguidores de Cristo que usufruirão as moradas que o Pai preparou.

Quando Jesus estava na cruz do Calvário, havia dois ladrões que estavam sendo crucificados com Ele. Um decidiu se tornar discípulo de Jesus naquela hora, a poucos instantes da morte. Jesus disse a ele: “filho, hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Como Deus é maravilhoso! Caro irmão, se o futuro te amedronta, creia nesse Deus de bondade e misericórdia. Se a morte tira-lhe a paz, ore assim: Deus, de hoje em diante vou confiar na Tua Palavra, e vou descansar nas Tuas Verdades, e nas Tuas Promessas. E que meu coração possa calmo e  sossegado ficar, pois, de fato, Tu és bom. Amém.
                                                                                                                        Pastor Laurencie   



[1] Doutrina acerca das últimas coisas.

sábado, 27 de março de 2010

Vasos de barro



Como falar da beleza do ministério pastoral – o qual se pauta por claves de bondade, amor, paz, justiça, fraternidade, fidelidade, cuidado humano – em tempos de plena desorientação em relação a vida, desconsideração pelo outro e mudanças sócio-culturais que ocorrem na velocidade da luz? Como ser pastor num tempo em que a sociedade, em grande parte, molda seu pensar e seu agir por instrumentos massivos de comunicação social? Como exercer um ministério relevante num mundo onde as concepções e formas da expressão religiosa tiveram suas funções alteradas? Ou será que não tiveram?! Você, por acaso, já ouviu falar de crise de vocacionados, crise doutrinária, crise denominacional, crise de autoridade? Tudo isso é de dar medo e serve para nós pensarmos.

Todas essas perguntas são difíceis de responder, são profundas demais, abrangentes demais, e até escandalosas demais. O compositor português Pedro Ayres Magalhães fala nos seus versos da complexidade da atualidade, mas que apesar de tudo, é tocada pela realidade da ação pastoral: “Ai que ninguém volta ao que deixou; ninguém larga a grande roda; ninguém sabe onde é que andou; ai que ninguém lembra nem o que sonhou; e aquele menino canta a cantiga do pastor”. Tenho aprendido, nos convívios, no ouvir e ver que há muitas pessoas – como na metáfora sobre o menino da canção acima – que ainda cantam a ‘cantiga do pastor’: cantam, de fato, porque contam com a presença solidária e o apoio incondicional de pastores em suas esperanças e lutas. Isso é motivador e inspirador.

Apesar da lutas, dos problemas, das dificuldades, das crises, das mudanças, há muita beleza em ser pastor, e essa beleza flui, obviamente, da Palavra de Deus, afinal é ela que legitima o ministério pastoral, é ela que guia a ação pastoral e ela que é a fonte de todo sentido, de toda razão e de toda esperança para alguém se lançar por esse caminho.

Para mim, um dos textos que melhor expressa essa tarefa – chamada pastoral – é o texto paulino de II Coríntios 4:7 a 18 que assim diz: Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida. Está escrito: "Cri, por isso falei". Com esse mesmo espírito de fé nós também cremos e, por isso, falamos, porque sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos, também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará com vocês. Tudo isso é para o bem de vocês, para que a graça, que está alcançando um número cada vez maior de pessoas, faça que transbordem as ações de graças para a glória de Deus. Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. É claro que Paulo está falando do seu próprio ministério, está citando situações reais de sua jornada. Mas suas palavras nos ensinam e nos mostram os caminhos do ministério pastoral e suas reais motivações. No seu texto o apóstolo fala de sofrimentos, lutas, e até de morte; e ainda de fé e esperança. Mas sublinho com toda força o verso 7, e com mais força ainda a expressão: “vasos de barro”. Sublinho porque este versículo que dá significado ao texto todo.

Tudo o que Paulo passou só tem razão de ser por causa daquilo que foi dito no verso 7: “temos esse tesouro em vaso de barro”, isso sugere muitas coisas para nós. Sugere a beleza, a riqueza e o poder da mensagem do Evangelho do Reino de Deus, e sugere a pequenez, a fragilidade e, porque não dizer, a vulnerabilidade daquele que carrega e conduz a mensagem. E por último, sugere, que Deus, o Senhor do céu e da terra, o Deus Todo Poderoso, está absolutamente envolvido em tudo isso. O grande apóstolo Paulo se compreende como vaso de barro e isso me ensina que preciso aprender a me compreender assim também: como um mero e simples instrumento nas mãos de Deus. Afim de que a glória seja toda dEle.

Foi falado acima das dificuldades do nosso tempo, tempo de insegurança, em todos os sentidos. Mas qual tempo que não traz as suas inquietações e seus perigos?  Paulo afirmou no primeiro século da era cristã: “De todos os lados somos pressionados, ficamos perplexos, somos perseguidos e abatidos”. E isso se repete ao longo da história do cristianismo. A palavra de Deus, ministrada pelo apóstolo, mostra-nos que ministério tem a ver com sofrimento, pois é fundamentado num sistema contra mundun, tem a ver com a renuncia de si mesmo, para poder se entregar por completo nas mãos do Altíssimo e Sublime, tem a ver com estar motivado por aquilo que é eterno e não transitório, para não ser engolido pelas grandes e inúmeras dificuldades da realidade contemporânea, tem a ver com estar absolutamente envolvido pela graça e com o coração cheio de gratidão pois “os sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles”.

 Devido a boa mão de Deus ao longo de toda a jornada, o desespero e o medo, cedem lugar para a esperança da glória e o engajamento do Reino. Daí a ação pastoral ganha sentido, e sua beleza é trazida à tona. Que Deus nos ajude a ser gente segundo a Sua vontade, e, como Paulo, possamos nos compreender como vasos de barro. Vasos simples, mas que carregam em si o tesouro chamado Boas Novas de Jesus Cristo. Meu anseio hoje é ver e vivenciar uma pastoral coerente e fundamentada na graça. Assim, todos nós  teremos razões de sobra para cantar cantigas de pastor. E que assim seja!

                                                             Pastor Laurencie    

sexta-feira, 19 de março de 2010

O CHAMADO DO REINO


Falar sobre o Reino de Deus é sempre um grande desafio, uma vez que ele sempre escapa as nossas conceituações, aos nossos paradigmas. Acredito que o Reino é mais para ser vivido, experimentado e sentido do que conceituado ou definido. Mas mesmo assim, serei um pouco teimoso e falarei sobre ele, sem ter a pretensão de defini-lo por completo. O que na verdade, seria uma impossibilidade.

Se você olhar com atenção para os evangelhos sinóticos, ou seja, Mateus, Marcos e Lucas, verá que eles estão repletos da expressão – Reino de Deus. A primeira vez que ela aparece no Novo Testamento é na boca de João Batista e está registrado em Mateus 3.2 – “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. Deve ficar claro que as expressões Reino dos céus e Reino de Deus são similares. Depois aparece nas palavras de Jesus, em Mateus 4.17, falando exatamente o mesmo que João. Tanto na fala do Batista quanto na de Jesus está associado ao Reino o conceito de arrependimento – metanóia em grego, que segundo o pastor Ed René Kivitz significa: “mudança de mente, expansão da consciência, capacidade de enxergar as coisas de outro prisma ou mesmo enxergar as coisas de uma perspectiva mais completa”. Isto é, metanóia é a experiência que nos possibilita dizer: “Mudei, já não penso mais assim, já não consigo ver as coisas desse jeito, e, conseqüentemente, redefine nossos valores e prioridades”. Metanóia faz-nos mudar de atitude e comportamento. Portanto, Reino de Deus tem a ver com arrependimento, mudança nas atitudes e na disposição da vontade.

Mateus registra da seguinte forma o início do ministério do Senhor: “Jesus foi por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo” (Mateus 4.23 a 25). Lucas é um pouco mais específico ao falar sobre o início do ministério de nosso Mestre; inclusive, dá detalhes do texto pregado por Jesus, a saber – o livro do profeta Isaías capítulo 61: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregas boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”. Jesus, na sua preleção no texto do profeta, disse claramente que essas palavras se cumpriam nele. O que as palavras dos evangelistas Mateus e Lucas nos ensinam sobre Reino? Ensinam que o Reino de Deus está intrinsecamente relacionado com os ensinamentos do Senhor Jesus, com as boas notícias de salvação: que se traduzem na transformação do ser humano para uma nova vida. Aliás, as curas mostravam exatamente isso: Quando o Reino chega na vida de alguém, ele transforma por completo, curas as feridas, liberta das prisões e apresenta o tempo da graça de Deus na história daquele ser humano.

Ao se fazer uma análise sobre o conceito de Reino de Deus, ou Reino dos céus, é impossível que não se considere o sermão do monte, em especial as bem-aventuranças que apresentam o significado da felicidade segundo Jesus de Nazaré e seu Reino. A felicidade conforme o Reino está numa dependência profunda de Deus, numa postura de humildade e pequenez, que mostra uma correta compreensão de si mesmo que nada tem a oferecer ao Criador, senão a si próprio. Está com os que choram, porque serão consolados, choram por seus pecados, choram por suas angústias, choram devido as dores da vida, contudo encontram consolo na bondade divina. A felicidade está com os que praticam a misericórdia, com os que são puros de coração, têm fome e sede por justiça,  lutam pela paz e são perseguidos por amarem o Reino e a mensagem que ele traz. Portanto, o Reino de Deus envolve uma correta percepção de Deus, de si mesmo, do mundo. Além disso, envolve um sentimento de inquietação e inconformidade com as injustiças e uma práxis que lute pelo que é bom, correto, honesto, justo, belo e digno.

Na oração do Pai nosso Jesus também fala sobre o Reino, na verdade pede para que ele venha e que a vontade de Deus seja feita na terra como é no céu, segundo Ed René Kivitz  ainda: isso mostra que o Reino de Deus é o ambiente em que a vontade Dele é feita sem restrições e resistências, e a realidade humana está harmonizada com a realidade divina, sendo as duas uma somente. Portanto, o Reino está relacionado com um anseio profundo de que a vontade de Deus seja cumprida na terra. Seja cumprida na vida, na história das pessoas. Quando alguém abre espaço em sua existência para a boa vontade divina, ali está o Reino.


Talvez, ainda, haja em você a dúvida: “Qual é o chamado do Reino?”  Os textos do evangelho falam por si mesmos e nos mostram que o chamado do Reino é para o arrependimento, para a mudança da mente, para a expansão da consciência, para um prostrar-se de corpo e alma diante de Deus, e abraçar de coração os ensinamentos de Jesus, para poder assim construir uma nova vida estruturada segundo os princípios da graça divina. É um chamado para a liberdade, é um chamado para a verdadeira felicidade que acontece ao servir a Deus e as pessoas em nome Dele. É um chamado para batalhar pelo que é verdadeiro, correto, belo e digno. A grande questão é: você vai ouvir o chamado do Reino?

Jesus disse que o Reino é como um negociante que procura pérolas preciosas e quando encontra uma pérola de grande valor vai vende tudo o que tem para adquirir aquela pérola. Eu espero que nossos olhos brilhem pelo Reino de Deus assim como os olhos do negociante brilharam por aquela pérola de grande valor. Eu espero de verdade.
                                                                                                           Pastor Laurencie

domingo, 14 de março de 2010

E DISSE JESUS: AMAI-VOS



Hoje, tentando não ser clichê, gostaria de falar a vocês, sobre o amor. Pois acredito que um conceito errado sobre o amor pode implicar numa vida fundamentada em premissas equivocadas. E quando vidas são construídas sobre fundamentos arenosos, o risco de desabamento é muito grande. Infelizmente, esta palavra está muito gasta em nossos dias, está descaracterizada. Diante disso, é muito complicado dizer o que é o amor. Assim sendo, teremos como referência à Palavra de Deus e a analisaremos com toda cautela. 

Poderia, com certeza, citar músicas, frases e poemas de amor. E essas frases, poemas geralmente mostram o amor interpretado como sentimento,  emoção, como desejo, como paixão, como dor, como sinônimo de sofrimento etc. É claro que não tenho a pretensão aqui de subestimar a importância dos sentimentos e das emoções na vida de uma pessoa, mas interpretar o amor, somente sobre este viés, constitui problema e falta de abrangência na análise. Por isso rejeito a tentativa de restringir o amor a seu elemento emocional. Contudo, o que mais me interessa aqui, como já disse, é mostrar qual a interpretação da Palavra de Deus sobre o amor, ou melhor, qual a definição bíblica sobre o amor. Não quero somente fazer uma análise sobre o amor, mas compreender porque é tão importante falar sobre ele nestes dias, e mais importante que falar sobre ele, é vivenciá-lo, experimentá-lo, usufruí-lo.

Quando analisamos os ensinamentos de Paulo, podemos perceber que o amor é um dom (charísmata). Ou seja, é uma dádiva de Deus para que a comunidade chamada igreja possa se edificar mutuamente. É presente do céu a fim de que a igreja tenha condições e ferramentas para abençoar a si mesma. Interessante que quando Paulo apresenta seu texto clássico sobre o amor – I Coríntios 13 – ele o faz tratando-o como caminho. Assim diz: “procurai, com zelo, os melhores dons. E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente”. Ou seja, o amor é um caminho a ser trilhado pela vida. Isso implica uma decisão constante e diária pelo amor. Contudo não é um caminho qualquer, é um caminho sobremodo excelente. É um caminho que faz bem pois nele há paciência, há bondade, não há espaço para a inveja, vanglória. Orgulho nem se fala, interesses mesquinhos então, ficam longe desse caminho. O amor diz não para a injustiça, e sim para a verdade. Diante disso, Paulo diz em I Coríntios 14: 01: “Sigam o caminho do amor”. De fato, o amor é um dom para se acolher e um caminho para se seguir.

Dentro do viés paulino ainda, percebemos outra conceituação de amor. Paulo diz que amor é fruto do Espírito de Deus (Gálatas 5.22), melhor dizendo, é uma das características do fruto do Espírito de Deus na vida da comunidade-igreja, é um dos sinais da atuação do Santo Consolador na história e vida de um povo que foi comprado, remido e agraciado pelo sangue de Cristo na cruz do Calvário. O amor, dentro dessa perspectiva, caracteriza a igreja. Quando as pessoas que compõem a mesma se amam, e trabalham e lutam pelas outras (e não contra as outras), estão demonstrando que pertencem ao Senhor, estão enfatizando Sua obra, Sua bondade, Seu Reino. De fato, o amor é um sinal para se mostrar.

O amor não é só um dos elementos primordiais do ensino do apóstolo Paulo, mas de Cristo também. Ele que é a personificação do amor tem autoridade plena para dizer o que essa palavra significa. O amor não é mero sentimento humano, é muito mais do que isso. Cristo ensina através de sua própria vida que amor é uma postura diante da existência, diante de Deus, diante de si mesmo, diante dos outros. É uma atitude no viver, é um jeito de se relacionar, é um jeito de fazer escolhas e instituir prioridades, é uma forma de lidar com os problemas e sofrimentos. Dentro da perspectiva dos ensinamentos de Cristo podemos afirmar: amar é andar a segunda milha, ir além do esperado (Mateus 5.41), é não julgar e condenar (Mateus 7:1), é tocar no leproso e incluí-lo no Reino de Deus, ou seja, é se importar com quem ninguém se importa (Mateus 8:1),  é cuidar de quem precisa – o bom samaritano é um bom exemplo disso (Lucas 10:25 a 37), é consolar quem perdeu toda a esperança (Mateus 11.28), é pegar a toalha e a bacia da humildade para servir aos outros, é pedir perdão e ser perdoador porque Deus o é (Mateus 18:21 a 35), é compreender que o humano está sempre acima das instituições, leis, costumes (Mateus 12.12). É agir com graça porque compreende que Deus é gracioso, benevolente, misericordioso (Mateus 20.1 a 16). De fato, o amor é um jeito de se viver.

Todos nós precisamos nos matricular na escola do amor. Refiro-me ao amor segundo o prisma da Palavra de Deus, obviamente. Não há outra opção para a igreja, ela não tem outra escolha desde que queira ser igreja no sentido integral do termo. Não há outro caminho para as famílias, desde que pretendam ser famílias de verdade. Não há outra opção para cada um de nós, senão o amor, isto é, desde que queiramos ser pessoas que constroem sua história sob a perspectiva da vontade de Deus. Se Deus e sua vontade são relevantes para você, ouça a voz do Senhor que insiste em dizer: “Amai-vos” e responda, sem pestanejar:  “Tudo bem, Senhor. Vou amar”.
                                                                                                           Pastor Laurencie

sábado, 6 de março de 2010

O PREÇO DE CAMINHAR NA GRAÇA



Talvez você já esteja desconfiado com esta pastoral devido ao seu título. É possível que surja na sua mente a pergunta: “Como pode a graça ter um preço? Graça é dádiva, é dom, é presente, é benevolência, não pode ter um preço”. Peço um pouco de paciência, caro leitor, e tudo será explicado nos mínimos detalhes.

Acredito que seria um bom caminho definir as palavras que aparecem no título. É claro que quando dizemos que vamos definir algo, sempre se corre o risco de deixar muita coisa de fora, por isso tal tarefa exige humildade e um sentimento de pequenez diante daquilo que é inexplicável à razão, mas sentido e percebido na jornada da vida. Vou correr esse risco, então. Particularmente gosto muito da definição do Caio Fábio, a qual foi extraído de seu livro Sem barganhas com Deus; ele assim diz: “Graça é toda manifestação do amor criador-redentor de Deus— e que se expressou supremamente no Escândalo da Cruz—, que sempre é favor imerecido, incluindo a criação do ser, mesmo que seja um ser assim como sou! Pois, sou-serei-sendo já-sou, Nele!”. Note bem: graça é manifestação do amor, tanto na criação do mundo, quanto na redenção do humano, mediante Jesus Cristo, o qual se manifesta plenamente no Escândalo da Cruz. Ou seja, graça é bondade dadivosa, contudo traz junto de si uma morte, a morte de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Você consegue perceber que há um preço grandioso pela graça? Entende que Cristo se desfez da sua glória, fez-se homem, assumiu forma de servo, e sofreu uma morte terrível, que é a morte de cruz? Compreende que a suma bondade divina é gratuita para nós, mas não o foi para Ele? Creio que todos podemos dizer em alto e bom som: “O preço da graça é muito caro”. Mas mesmo assim é graça, é favor imerecido, tanto para mim, quanto para você.

Ainda merece destaque a última parte da definição de Caio Fábio: “Pois, sou-serei-sendo já-sou, Nele!”. Aqui há um conceito quase imperceptível de caminho, o que já justifica o título desse texto. Ele afirma: “sou-serei-sendo-já sou”. Conforme interpreto, sua frase fala da construção do ser perante Deus, mediante Cristo. E isso se traduz simplesmente: caminho. Sinceramente, gosto demais dessa palavra, porque concentra em si uma das mais profundas experiências do ser humano em seu enfrentamento com a tarefa da vida. Visto que a vida nunca é um dado pronto e acabado, mas sempre uma tarefa a ser feita e conduzida. Portanto, viver é caminhar, e digo com segurança, caminhar na graça. E assim quando olho para mim mesmo vejo um peregrino, um caminhante, alguém que está em construção, alguém que está se desenvolvendo diante de Deus, alguém que já vive a graça, entretanto, ainda está em busca dela, um ser que percebe graça, todavia clama por ela, alguém que compreende graça, mas ainda está em busca de trilhar pelos caminhos altos e sublimes da graciosidade divina – Lembre-se: “sou-serei-sendo já-sou, Nele!”. Em Cristo eu vivo. Portanto, em Cristo sou peregrino. O poeta espanhol Antônio Machado disse: “Caminhante, não há caminho: faz-se caminho ao caminhar”. Isso significa que a graça tem que ser escolhida a cada dia na Jornada, em todo o momento diante do enfrentamento com a vida, mediante as situações que nos são apresentadas. Pois a vida, como já disse, nunca é algo pronto e acabado.  Perceba: “o caminho se faz ao caminhar”. É preciso, assim, escolher andar no caminho da graça sempre, tendo a certeza que no caminho de Deus, a graça atua do princípio ao fim. Como dizia o apóstolo do amor: “é graça sobre graça”. Eu quero trilhar por essa estrada.

Provavelmente a dúvida ainda persista : qual é o preço de caminhar na graça? O preço é a cruz de Cristo. Mas existe outro preço. Claro que não me refiro a boas obras ou algo que possa surgir como pretensão de obter mérito diante de Deus. Não. Nada disso. Refiro-me ao preço de escolher e tomar a firme decisão de andar na graça. Diante de um mundo que decide ser construído fundamentado no conceito de não-graça, a Igreja de Cristo deve, com voz profética, denunciar as maldades, injustiças, as distorções do evangelho, ou seja, os pecados. Isso também é trilhar na graça. Além disso, recusar-se a pregar e aceitar uma mensagem de quase-graça, que não sendo totalmente graça acaba se tornando des-graça, visto que não é a verdade do Senhor. Não aceitemos isso. Paguemos o preço de andar na graça, isso significa que o ego muitas vezes deve ser calado para a glória de Deus. Um novo rumo necessita ser tomado. Novas perspectivas construídas, relacionamentos transformados, uma reinvenção de si, através do poder e da obra de Cristo. Em suma, uma nova esperança, para um novo tempo, alicerçado na graça. Para isso, é fundamental olhar para a vida com outros olhos. É preciso dar total espaço e liberdade para a justiça, misericórdia, bondade, respeito à dignidade humana, amizade, fidelidade, perdão, paciência, amabilidade, alegria, mansidão, temperança.

Saiba de antemão que não é fácil andar por esse caminho, esse caminho, como já ensinou nosso Senhor, é estreito. Demasiadamente estreito. Não dá pra levar na mala o orgulho, a mentira, a barganha com Deus, os méritos humanos, o egocentrismo, os interesses mesquinhos, as atitudes medíocres, as manipulações de outrem, o aproveitamento dos mais fracos. Não. Definitivamente não. Deixe tais bugigangas humanas para trás.

Pela misericórdia de Deus, não barateie a graça, não a institucionalize, não impeça sua ação, não duvide do seu poder e do seu alcance, não vire as costas pra ela, não diga em seu coração: “não preciso dela”. Pague o preço de caminhar na graça, e viva e desfrute da graça no caminho. Todos os dias as situações da vida vão fazer a seguinte pergunta a você: graça ou não-graça? Eu creio piamente que Jesus responderia: “Graça”. E você?   

                                                                                                            Pastor Laurencie